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2001 - A ODISSÉIA LACANIANA
Colóquio Internacional: Lacan no século

Breves crónicas das atividades
Sábado, 14/04/2001

Aline de Alvarenga Coelho

Colóquio: Escola, Formação e Desejo do Analista.

Coordenação: Gabriel Lombardi e Clarice Gatto

Angela Diniz e Zilda Machado - O desejo do analista é um lugar ambígüo e inevitável. Lacan começa a falar dele no seminário Os nomes-do-pai, que logo é interrompido. O que ele aborda é o papel do desejo de Freud. Lacan traz a psicanálise para o estatuto da ciência. Qual o objeto da psicanálise? É o objeto a. Em sua formação, o analista acede ao desejo do analista, que é uma função. O sujeito se realiza pela via do Outro. As necessidades são desviadas porque o homem fala. Ele recebe suas próprias necessidades de forma alienada. A fala própria é recebida invertida, vinda do Outro. O recalque originário apresenta uma perda sem retorno. Quando retorna, é como causa. A constituição do sujeito no campo do Outro deixa um resto: objeto a, causa de desejo. E é o que possibilita a transferência. Desejo como desejo do Outro X Desejo do analista. Final de análise: separação entre o objeto a e - fi - torção que faz a passagem do analisante ao analista. Lacan transforma o "Cogito" cartesiano: ou não penso ou não sou. Ser e pensar se excluem mutuamente. Há uma alienação forçada posta para todo sujeito que não afeta o ser nem o pensar, mas o eu (Je). Isso - não eu - pas-je. Há uma disjunção: isso (lugar do não penso) e inconsciente (lugar do não sou). O final de análise é encontrar a falta que se chama desejo. Há a queda do sujeito suposto saber que se torna objeto a. O que é próprio da análise é lidar com a perda constitutiva do sujeito. O desejo do analista é um desejo inédito: desejo de saber.

Enrique Katz - Em 1926, Freud escreve um artigo anônimo para a Enciclopédia Britânica, usando a expressão "Escola Freudiana". Um ano depois, é criada a IPA. Lacan considera que Freud assumiu um risco. Nas massas, a identifícação ao ideal acaba por ocupar o lugar do ato. O objeto a é mascarado pelo ideal. Desconhecer o objeto a não é sem conseqüências. Nas escolas, ele aparece mascarado pelos ideais de grupo. Um analista membro de escola (AME) estaria ocupando o lugar impossível de sujeito sem barra (S).

Marco Antonio Coutinho Jorge - Ele inicia sua exposição com a pergunta de Lacan: "como ensinar aquilo que a psicanálise nos ensina?" O tripé modelo de transmissão da psicanálise é: análise pessoal + ensino teórico + supervisão. O ensino de Lacan tinha efeitos de formação. A sua crítica era que, antes dele, o rigor estava se degradando em rigidez. A formação da IPA se transformou em uma formação universitária. O discurso analítico se transformou em discurso universitário. O saber deslocou o não-saber. Mas Marco assinala que é preciso perceber que estes analistas estavam diante de grandes dificuldades. Algumas delas, ele cita: O câncer de Freud é um fato histórico que teve conseqüências. O grupo de Berlim, por época do diagnóstico da doença (1923), apressou-se por fazer uma formalização da transmissão da psicanálise que fosse aprovada por Freud antes de sua morte (eles não imaginavam que Freud ainda viveria 15 anos). Este modelo criado na urgência da pressa e do pânico foi tomado sem questionamentos e sem modificações. A ignorância leva ao dogmatismo que leva ao autoritarismo. Lacan retoma um problema que havia sido completamente esquecido pelos analistas: o do fim de análise e a formação de analistas. Segundo Marco Antonio, a supervisão é algo ainda mais delicado, pois é uma espécie de sintoma. Hans Sachs, primeiro analista didata da história, ficava confuso quando seus analisandos lhe falavam de seus casos clínicos. Por causa disso, ele resolveu separar análise de supervisão. Freud, ao contrário, não tinha a menor dificuldade em ocupar o lugar de suposto saber. Isso lhe era bastante natural; o que não acontecia com Sachs. Sobre o tripé, todas as escolas são unânimes em afirmar que a análise pessoal não pode estar ausente de maneira nenhuma. Esta é a forma primordial de acesso ao saber inconsciente. O passe é uma aposta de Lacan de que há um ganho de saber sobre o que ocorre numa análise. Mas passe foi logo confundido com nomeação (AE). O ensino teórico, saber psicanalítico, não pode prescindir da referência à experiência clínica. A supervisão, por sua vez, deixou de ser obrigatória com Lacan, sendo que o analista em formação era livre para procurar supervisão com quem e quando achasse necessário. Lacan não alterou o tripé clássico; apenas inseriu novos elementos (cartel e passe).

Plenária - Análise: Com ou sem fim?

Coordenação: Viviana Bordenave

Pierre Bruno - Passe sem fim. Passe é uma coisa, fim de análise é outra. Ambas não se confundem, mas se aproximam. Para além do passe, o fim é uma volta a mais. Passe é a passagem de analisante a analista. É a diferenciação entre falta e perda. O sujeito pára de gozar com a falta, com a castração. Lacan estava alertado para falsas saídas da análise, que não corresponderiam a seu fim. O passe apresenta novos meios para avaliar o fim. O passe pode ser ultrapassado, é um fim após o fim. Passe é quando o sujeito coloca, pela primeira vez, a questão de seu gozo (ver también reseña de Sara Hassan).

Dominique Fingermann - A leveza do ser é insustentável. Depressão é a doença do ser. Neurose é uma solução humana que dá peso ao Outro. Fim de análise - passagem para a inconsistência do Outro. O ser que fala crê no Outro e enlaça aí sua neurose. Isso é o inconsciente: aprendemos a falar e a nos influenciar pela linguagem. O ato é o que fará o analisante nomear a perda.

Florencia Farías - As marcas do amor no final da análise. Amor é o tema central de nossa clínica. Qual o destino do amor de transferência na clínica? Amor é uma das paixões do ser, assim como o ódio e a ignorância. Amar é dar o que não se tem, é tentar suprir a relação sexual que não existe. Amor é a ilusão de que se pode encontrar aquilo que lhe faltava. Toda escolha de objeto é o reencontro com substitutos dos escolhidos objetos edípicos. O amor se dá entre dois, mas um toma o outro com objeto. A mulher quer ser amada. Modelo de erotomania. O homem quer conferir sua potência viril. Ele se posiciona frente ao gozo. A mulher pode ser fálica, ou seja, constituir-se como aquela que tem. E há a mulher que se situa como aquela que não tem o falo. Na transferência, aquele a quem suponho o saber, eu amo. Desfazer a transferência é destituir o sujeito suposto saber. No fim de análise, o Outro perde consistência. Sabe-se o que fazer com o sintoma e identifica-se com o Sinthoma. No fim de análise, o amor sustenta uma boa dose de sublimação e liberdade que permita, no melhor dos casos, escolher.

Isabelle Morin - Passe é necessário para saber como se orientar análise. Fim do tratamento - atravessamento da fantasia e/ou identificação ao sinthoma. Para ser analista é preciso acreditar no inconsciente e atravessar estas construções: fantasias. Travessia da fantasia e passe não são o fim de análise. É possível, frente a esse vazio, que o analisante assuma o lugar de objeto a. Objeto a não deve ser tomado apenas como causa de desejo, mas também como meio de gozo. Tirar da castração um gozo não seria um mais-de-gozar?

Aline de Alvarenga Coelho

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